ao longe vejo você chegando. a cada passo que você dá, a cada segundo que o tempo passa, a cada milímetro de distância mais próximo, meu coração aumenta as batidas, um passo a mais, dezenas de batidas cardíacas somadas, o sangue circula mais rápido pelo meu corpo, as mãos ficam inquietas, os lábios querem abrir, um sorriso deseja se formar, mas eu o contenho para não transparecer minha completa felicidade ao ter você ao alcance dos meus olhos. você chega, me olha, e suavemente, envergonhadamente, abre um sorriso encantador, o formato dos teus lábios com a perfeição dos teus dentes me deixam paralisado. meus olhos brilham ao encontrar teus olhos. você me diz ‘oi’ e eu fico com a garganta seca, não consigo responder, apenas deixo sair o sorriso que guardo desde o momento que você surgiu ao longe. nossas mãos se tocam. sua pele é quente, mais quente que dos outros seres humanos que eu já toquei. sua pele é macia. quente e macia. sinto vontade de não largar tua mão. sinto o desejo de te puxar e sem dizer nenhuma palavra, sem emitir nenhum som, apenas no silêncio do momento sem palavras fazer com que meus lábios encontrem os teus lábios, mas não tenho coragem. nos breves segundos que nosso corpo se toca (pelas mãos) e nossa alma se encontra (nos olhares) eu fico estático, patético, encantado. não sei como. não sei por que. não sei mais nada desde o momento que você apareceu pela primeira vez na minha vida. tens o dom de me deixar nervoso, de tirar meu chão, de me colocar nas nuvens em segundos. encontrar-te é sensacional, me aquece e me anima por dias e dias. o único momento triste é quando você vai embora. quando vejo, ao longe, seu corpo sumindo no horizonte e apenas o céu azul fica no meu campo de visão. rezo, todos os dias, para que não seja esta a última vez que vi. desejo ver-te diariamente, profundamente, apaixonadamente para sempre.
Waguater
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
domingo, 10 de julho de 2011
Pierre e a Verdadeira Nudez
Pierre levantou do sofá onde havia passado os últimos 7 dias, caminhou calmamente até o banheiro e lavou o rosto, virou e se olhou no espelho. O que ele via ia muito além do seu corpo nu, do cabelo desarrumado, da bunda marcada pela espessura do tecido do sofá, dos dedos lambuzados de chocolate, do pênis murcho pelo frio, das coxas finas, dos braços com pouco músculo. O que ele via era a tristeza da alma, a dor no peito, o desejo de gritar, de cravar no peito uma faca, de bater com a cabeça na parede, de arranhar todo o seu corpo com suas unhas enormes, de deixar uma marca na face para que ninguém mais o olhe, para que ninguém mais o deseje, para que ninguém mais o iluda.
Em frente ao espelho Pierre olhava dentro dos seus olhos. O que ele via era toda a aflição, toda a agonia, toda a amargura, toda a angústia, toda a ansiedade, todo o desgosto, toda a dor que habitava a sua alma. Não, as lágrimas não corriam e ele não sentia vontade de chorar. O que Pierre sentia era tão forte que transcendia a vontade do corpo de colocar para fora através de lágrimas, não adiantava chorar porque deixar as lágrimas correrem era pouco, era insignificante, medíocre.
Com o rosto levado, o corpo nu, Pierre saiu do banheiro, caminhou até a cozinha, abriu a porta, apertou o botão do elevador, esperou o mesmo chegar ao seu andar, entrou, apertou o botão do térreo, desceu, abriu a porta do elevador, cumprimentou o porteiro, abriu a porta do prédio e saiu na noite fria e enluarada sem destino. Em choque, todos o olhavam, apontavam para o rapaz sem roupas, debochavam. Pierre não percebeu ninguém, porque não era o seu corpo que estava nu, era a sua alma que não tinha mais razão para se vestir e continuar.
Neste momento Pierre está na beira-mar mais famosa do país. Os turistas o olham sem entender. A polícia foi chamada. E ele continua a caminhar na direção do mar. Se a água gélida irá renová-lo, se a água gélida irá congelá-lo, se na água gélida ele irá desaparecer isso eu não sei. Eu sou apenas mais um que o observa sem entender e não tem coragem de chegar perto, mas mesmo de longe percebo que Pierre é extremamente afetuoso e sensível. Seres humanos sensíveis são os que mais sofrem. O mundo não é feito para eles. O mundo é feito para quem é insensível e racional. Talvez eu não faça nada por identificação com Pierre. Talvez eu me junte à ele. Não sei. Só sei que ele continua…
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